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Termo de consentimento na odontologia: o que deve ter

Redação TalentOdontoPublicado em 12 out 202610 min de leitura
Blog e conteúdos›Termo de consentimento na odontologia: o que deve ter
Dentista explica uma folha impressa a uma paciente adulta sentada à mesa do consultório, antes do atendimento, enquanto a paciente segura uma caneta.

O termo de consentimento escrito não é obrigatório na odontologia, mas é a prova de que o paciente foi informado. O modelo do CFO de 2026 tem 9 itens: tratamento, objetivo, benefícios, riscos, alternativas, recusa, limitações, conduta no insucesso e observações. Foto nas redes exige termo à parte.

O que diz o Código de Ética

O Código de Ética Odontológica (Resolução CFO-118/2012) trata como infração ética deixar de esclarecer os propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento (art. 11, IV) e começar qualquer procedimento sem o consentimento prévio do paciente ou do responsável legal, salvo urgência ou emergência (art. 11, X). O dever de informar existe sempre. O que o termo faz é deixar esse dever registrado.

Em março de 2026, o CFO publicou o Manual do Prontuário do Paciente em Odontologia, com um modelo de termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) pronto para adaptar. É a referência mais atual para revisar o documento que a sua clínica usa.

O termo de consentimento é obrigatório?

O consentimento é obrigatório; o papel, não. Na pergunta 28 do FAQ do manual, o CFO responde que a falta do TCLE escrito não é, por si só, infração ética nem descumprimento de lei, porque o consentimento pode ter sido obtido de forma verbal. Na mesma resposta, diz que a forma escrita e assinada é sempre a mais clara e segura.

Na prática, isso muda a pergunta. Não é "sou obrigado a ter o termo?", e sim "como provo, daqui a três anos, que expliquei os riscos?". Sem registro, a palavra da clínica vale o mesmo que a do paciente. O Código de Ética prevê pena de advertência até cassação (art. 51) e multa de 1 a 25 vezes o valor da anuidade do CRO (art. 57). Com a anuidade de cirurgião-dentista de R$ 547,93 em 2026, a multa vai de R$ 547,93 a R$ 13.698,25.

Próximo passo: liste os procedimentos que a clínica faz hoje sem nenhum termo assinado. Comece por cirurgias, implantes, ortodontia e tratamentos estéticos de alto valor.

O que o termo de consentimento deve conter: os 9 itens do modelo do CFO

O Anexo 3 do manual traz um texto padrão (o paciente declara que recebeu explicações em linguagem não técnica, que se compromete a comparecer e seguir orientações, e que o dentista não promete resultado) e 9 campos que o dentista preenche para cada caso:

O que o termo de consentimento deve conter: os 9 itens do modelo do CFO
ItemO que escreverErro comum
1. Tratamento e técnica escolhidosO procedimento, os dentes ou a região e a técnicaEscrever só "tratamento odontológico"
2. Objetivo e prazo estimadoO que se espera alcançar e em quanto tempoPrometer resultado ("dente perfeito")
3. Aspectos positivosOs benefícios da opção escolhidaCopiar texto de propaganda
4. Riscos e complicaçõesReações adversas e complicações possíveis daquele procedimentoLista genérica igual para todo tratamento
5. Outros tratamentos em caso de insucessoO que se faz se a primeira opção não der certoDeixar em branco
6. Consequências de não tratarO que acontece se o paciente recusarOmitir, quando é o que protege a recusa
7. Limitações do caso ou da técnicaO que o caso não permiteNão citar hábitos do paciente que limitam o resultado
8. Conduta em caso de insucessoQuem refaz, em que condiçõesContradizer o contrato
9. Apontamento específicoQualquer ponto próprio daquele paciente—

O manual também diz que o termo não é um papel assinado uma vez: o consentimento é obtido antes, reforçado durante e encerrado com as orientações finais de cuidado. E que o TCLE não isenta a clínica de responsabilidade; ele mostra que a informação foi dada.

O CFO autoriza copiar o modelo, desde que ele seja adaptado a cada situação (FAQ, pergunta 24). O termo do implante não serve para o clareamento.

Próximo passo: pegue o termo que a clínica usa e marque, item por item, quais dos 9 campos ele tem.

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Exemplo: o termo de um implante preenchido

Paciente e valores fictícios, só para mostrar o preenchimento. O conteúdo clínico de cada item é decisão do dentista responsável pelo caso.

Uma paciente de 52 anos perdeu um molar inferior. No plano de tratamento, a dentista apresentou três opções:

Exemplo: o termo de um implante preenchido
OpçãoValor (ilustrativo)Prazo estimado
A. Implante com coroaR$ 4.2006 meses
B. Prótese fixa sobre dentes vizinhosR$ 2.8001 mês
C. Prótese removívelR$ 1.1003 semanas

A paciente escolheu a opção A. O termo dela fica assim:

  • Item 1: implante no dente 36 com coroa sobre implante, em duas etapas.
  • Item 2: repor o dente perdido para mastigar daquele lado; prazo de 6 meses, que pode mudar conforme a resposta do organismo.
  • Item 4: dor e inchaço nos primeiros dias, sangramento, e a possibilidade de o implante não se integrar ao osso.
  • Item 5: se o implante não integrar, nova tentativa após cicatrização ou troca pela opção B.
  • Item 6: sem tratar, os dentes vizinhos podem se mover para o espaço vazio.
  • Item 7: o tabagismo informado na anamnese aumenta o risco de falha.
  • Item 8: quem paga a repetição em cada caso, igual ao que está no contrato.

Duas contas ajudam a revisar o pacote. O modelo de contrato do CFO (Anexo 2) prevê que o prazo pode variar até 50% com justificativa: os 6 meses do item 2 podem virar 9. Se o termo disser "6 meses" e o contrato não falar da variação, a paciente terá um documento dizendo uma coisa e outro dizendo outra. E, como o tratamento custa R$ 4.200, cai no caso em que o manual recomenda gravar em áudio e vídeo a consulta de esclarecimento e a assinatura: procedimento de maior complexidade, risco de sequela ou alto custo.

Próximo passo: defina na clínica um valor acima do qual a consulta de esclarecimento é gravada, e registre isso no procedimento interno.

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Quem assina e quando

Quem assina e quando
SituaçãoQuem assina
Paciente com 18 anos ou maisO próprio paciente
Paciente de 16 a 17 anosO paciente e, depois, também o responsável legal
Paciente com menos de 16 anosSó o responsável legal
Paciente que não consegue assinarImpressão digital do paciente e, se possível, assinatura de um acompanhante como testemunha (assinatura a rogo)

Essas regras estão no FAQ do manual (perguntas 26 e 40). A testemunha nunca substitui o paciente. O modelo do CFO prevê ainda a assinatura do dentista e, para mais segurança, de 2 testemunhas.

Quando assinar: depois de o paciente escolher a opção no plano de tratamento e antes do primeiro procedimento daquela opção. Se o plano mudar no meio do caminho, faz-se outro termo para a nova técnica.

Em emergência, o Código de Ética dispensa o consentimento prévio (art. 11, X). O manual lista as situações que justificam não obter ou adiar o termo: emergência, risco de dano psicológico grave, recusa do paciente em receber a informação, tratamento compulsório, risco para a saúde pública e problema de saúde mental grave (FAQ, pergunta 31). Nesses casos, registre no prontuário o motivo.

Próximo passo: inclua no checklist da recepção a conferência da idade do paciente antes de entregar o termo para assinatura.

Termo de uso de imagem: outro documento

Postar foto de paciente exige um consentimento próprio, separado do termo do tratamento. A Resolução CFO-196/2019 só permite divulgar selfie com paciente e imagens do diagnóstico e do resultado final com autorização prévia por TCLE. Mesmo com o termo, a resolução proíbe:

  • imagens em que apareçam equipamentos, instrumentais, materiais ou tecidos biológicos (art. 1º, § 1º);
  • vídeo ou imagem do procedimento sendo feito, fora de publicação científica (art. 3º);
  • expressões de sensacionalismo, autopromoção ou promessa de resultado (art. 2º, § 1º);
  • caso clínico de outro profissional; toda publicação leva o nome e o número de inscrição de quem fez (art. 4º).

Só pode postar o dentista que executou o procedimento (art. 2º). A divulgação fora dessas regras é infração ética de manifesta gravidade (art. 5º). Na clínica, o responsável técnico responde junto pela propaganda (Código de Ética, art. 45).

O Anexo 10 do manual traz o modelo dessa autorização, com versão para paciente menor. Ele exige escrever onde a imagem será usada e garante ao paciente o direito de revogar a autorização a qualquer momento. Revogada, a clínica para de usar e remove o que for possível.

Próximo passo: separe na pasta de cada paciente o termo do tratamento e o termo de imagem, e não poste nada de quem não tem o segundo assinado.

Como organizar o termo na clínica

A recepção pode entregar o papel, mas quem explica riscos e alternativas é o dentista que vai fazer o procedimento. O termo assinado sem conversa não demonstra esclarecimento.

Uma rotina simples funciona assim:

  1. O dentista apresenta as opções no plano de tratamento e registra a escolha.
  2. Preenche os 9 itens do termo para a opção escolhida, com linguagem que o paciente entenda.
  3. Lê com o paciente, responde dúvidas e colhe as assinaturas; uma via fica no prontuário.
  4. A cada etapa, registra na evolução que reforçou as orientações.
  5. Se houver interesse em postar o caso, apresenta o termo de imagem em separado.

O termo é só uma das peças que a fiscalização sanitária e o CRO podem pedir junto do prontuário. Se a clínica está crescendo e precisa de alguém na recepção ou na gestão para cuidar dessa papelada, descreva essas tarefas na vaga: no TalentOdonto, a clínica publica a vaga e recebe candidatos de recepção, ASB e gestão da odontologia.

Antes de decidir: o modelo do CFO é uma base e não substitui o conteúdo clínico, que é de cada dentista e de cada caso. Termo de pesquisa científica segue as regras do comitê de ética, não este modelo. Para contratos de valor alto ou casos já em conflito, vale ouvir um advogado da área da saúde. As normas citadas são as vigentes em outubro de 2026; o CRO do seu estado pode ter orientações complementares.

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Prontuário odontológicoO termo assinado fica guardado no prontuário: veja o que mais ele deve ter e por quanto tempo.Responsável técnico na clínica odontológicaVeja quem responde pelos documentos e protocolos da clínica.Fiscalização sanitária na clínica odontológicaSaiba o que a vigilância sanitária confere na visita.

Perguntas sobre o tema

O termo de consentimento precisa ser registrado em cartório?

Não. O manual do CFO diz que nem o contrato de prestação de serviços precisa de firma reconhecida ou registro em cartório para valer. O mesmo vale para o termo.

Posso usar o termo de consentimento em PDF do CRO ou de outra clínica?

Pode usar como ponto de partida. O CFO autoriza copiar o próprio modelo, mas exige adaptação a cada situação. Um termo genérico, igual para todo procedimento, protege pouco, porque não mostra que os riscos daquele caso foram explicados.

Termo de consentimento para cirurgia odontológica é diferente?

Usa a mesma estrutura de 9 itens. Muda o conteúdo dos itens 4 a 8, que precisam dos riscos e condutas próprios da cirurgia. Em cirurgia de maior complexidade, o manual recomenda gravar a consulta de esclarecimento.

O termo digital, assinado no tablet, vale?

O manual do CFO aceita o consentimento escrito, impresso ou gravado, e admite documentos odontológicos assinados digitalmente. O cuidado é guardar o arquivo no prontuário, com data, e conseguir mostrar quem assinou.

O paciente pode desistir depois de assinar?

Pode. O consentimento é livre e o contrato do modelo do CFO prevê rescisão a qualquer tempo, com cobrança só das etapas feitas. A autorização de uso de imagem também pode ser revogada a qualquer momento. ---

Fontes consultadas

  • CFO — Manual do Prontuário do Paciente em Odontologia, 1ª ed., 2026
  • CFO — FAQ do Manual do Prontuário (2026)
  • CFO — Código de Ética Odontológica, Resolução CFO-118/2012
  • CFO — Resolução CFO-196/2019

Conteúdo informativo. A forma de contratação deve ser definida conforme a realidade da clínica, com orientação profissional quando necessário.

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Equipe editorial

Conteúdos práticos para clínicas e profissionais tomarem decisões com mais clareza na rotina odontológica.

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