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Termo de consentimento na odontologia: o que deve ter

O termo de consentimento escrito não é obrigatório na odontologia, mas é a prova de que o paciente foi informado. O modelo do CFO de 2026 tem 9 itens: tratamento, objetivo, benefícios, riscos, alternativas, recusa, limitações, conduta no insucesso e observações. Foto nas redes exige termo à parte.
O que diz o Código de Ética
O Código de Ética Odontológica (Resolução CFO-118/2012) trata como infração ética deixar de esclarecer os propósitos, riscos, custos e alternativas do tratamento (art. 11, IV) e começar qualquer procedimento sem o consentimento prévio do paciente ou do responsável legal, salvo urgência ou emergência (art. 11, X). O dever de informar existe sempre. O que o termo faz é deixar esse dever registrado.
Em março de 2026, o CFO publicou o Manual do Prontuário do Paciente em Odontologia, com um modelo de termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) pronto para adaptar. É a referência mais atual para revisar o documento que a sua clínica usa.
O termo de consentimento é obrigatório?
O consentimento é obrigatório; o papel, não. Na pergunta 28 do FAQ do manual, o CFO responde que a falta do TCLE escrito não é, por si só, infração ética nem descumprimento de lei, porque o consentimento pode ter sido obtido de forma verbal. Na mesma resposta, diz que a forma escrita e assinada é sempre a mais clara e segura.
Na prática, isso muda a pergunta. Não é "sou obrigado a ter o termo?", e sim "como provo, daqui a três anos, que expliquei os riscos?". Sem registro, a palavra da clínica vale o mesmo que a do paciente. O Código de Ética prevê pena de advertência até cassação (art. 51) e multa de 1 a 25 vezes o valor da anuidade do CRO (art. 57). Com a anuidade de cirurgião-dentista de R$ 547,93 em 2026, a multa vai de R$ 547,93 a R$ 13.698,25.
Próximo passo: liste os procedimentos que a clínica faz hoje sem nenhum termo assinado. Comece por cirurgias, implantes, ortodontia e tratamentos estéticos de alto valor.
O que o termo de consentimento deve conter: os 9 itens do modelo do CFO
O Anexo 3 do manual traz um texto padrão (o paciente declara que recebeu explicações em linguagem não técnica, que se compromete a comparecer e seguir orientações, e que o dentista não promete resultado) e 9 campos que o dentista preenche para cada caso:
| Item | O que escrever | Erro comum |
|---|---|---|
| 1. Tratamento e técnica escolhidos | O procedimento, os dentes ou a região e a técnica | Escrever só "tratamento odontológico" |
| 2. Objetivo e prazo estimado | O que se espera alcançar e em quanto tempo | Prometer resultado ("dente perfeito") |
| 3. Aspectos positivos | Os benefícios da opção escolhida | Copiar texto de propaganda |
| 4. Riscos e complicações | Reações adversas e complicações possíveis daquele procedimento | Lista genérica igual para todo tratamento |
| 5. Outros tratamentos em caso de insucesso | O que se faz se a primeira opção não der certo | Deixar em branco |
| 6. Consequências de não tratar | O que acontece se o paciente recusar | Omitir, quando é o que protege a recusa |
| 7. Limitações do caso ou da técnica | O que o caso não permite | Não citar hábitos do paciente que limitam o resultado |
| 8. Conduta em caso de insucesso | Quem refaz, em que condições | Contradizer o contrato |
| 9. Apontamento específico | Qualquer ponto próprio daquele paciente | — |
O manual também diz que o termo não é um papel assinado uma vez: o consentimento é obtido antes, reforçado durante e encerrado com as orientações finais de cuidado. E que o TCLE não isenta a clínica de responsabilidade; ele mostra que a informação foi dada.
O CFO autoriza copiar o modelo, desde que ele seja adaptado a cada situação (FAQ, pergunta 24). O termo do implante não serve para o clareamento.
Próximo passo: pegue o termo que a clínica usa e marque, item por item, quais dos 9 campos ele tem.
Exemplo: o termo de um implante preenchido
Paciente e valores fictícios, só para mostrar o preenchimento. O conteúdo clínico de cada item é decisão do dentista responsável pelo caso.
Uma paciente de 52 anos perdeu um molar inferior. No plano de tratamento, a dentista apresentou três opções:
| Opção | Valor (ilustrativo) | Prazo estimado |
|---|---|---|
| A. Implante com coroa | R$ 4.200 | 6 meses |
| B. Prótese fixa sobre dentes vizinhos | R$ 2.800 | 1 mês |
| C. Prótese removível | R$ 1.100 | 3 semanas |
A paciente escolheu a opção A. O termo dela fica assim:
- Item 1: implante no dente 36 com coroa sobre implante, em duas etapas.
- Item 2: repor o dente perdido para mastigar daquele lado; prazo de 6 meses, que pode mudar conforme a resposta do organismo.
- Item 4: dor e inchaço nos primeiros dias, sangramento, e a possibilidade de o implante não se integrar ao osso.
- Item 5: se o implante não integrar, nova tentativa após cicatrização ou troca pela opção B.
- Item 6: sem tratar, os dentes vizinhos podem se mover para o espaço vazio.
- Item 7: o tabagismo informado na anamnese aumenta o risco de falha.
- Item 8: quem paga a repetição em cada caso, igual ao que está no contrato.
Duas contas ajudam a revisar o pacote. O modelo de contrato do CFO (Anexo 2) prevê que o prazo pode variar até 50% com justificativa: os 6 meses do item 2 podem virar 9. Se o termo disser "6 meses" e o contrato não falar da variação, a paciente terá um documento dizendo uma coisa e outro dizendo outra. E, como o tratamento custa R$ 4.200, cai no caso em que o manual recomenda gravar em áudio e vídeo a consulta de esclarecimento e a assinatura: procedimento de maior complexidade, risco de sequela ou alto custo.
Próximo passo: defina na clínica um valor acima do qual a consulta de esclarecimento é gravada, e registre isso no procedimento interno.
Quem assina e quando
| Situação | Quem assina |
|---|---|
| Paciente com 18 anos ou mais | O próprio paciente |
| Paciente de 16 a 17 anos | O paciente e, depois, também o responsável legal |
| Paciente com menos de 16 anos | Só o responsável legal |
| Paciente que não consegue assinar | Impressão digital do paciente e, se possível, assinatura de um acompanhante como testemunha (assinatura a rogo) |
Essas regras estão no FAQ do manual (perguntas 26 e 40). A testemunha nunca substitui o paciente. O modelo do CFO prevê ainda a assinatura do dentista e, para mais segurança, de 2 testemunhas.
Quando assinar: depois de o paciente escolher a opção no plano de tratamento e antes do primeiro procedimento daquela opção. Se o plano mudar no meio do caminho, faz-se outro termo para a nova técnica.
Em emergência, o Código de Ética dispensa o consentimento prévio (art. 11, X). O manual lista as situações que justificam não obter ou adiar o termo: emergência, risco de dano psicológico grave, recusa do paciente em receber a informação, tratamento compulsório, risco para a saúde pública e problema de saúde mental grave (FAQ, pergunta 31). Nesses casos, registre no prontuário o motivo.
Próximo passo: inclua no checklist da recepção a conferência da idade do paciente antes de entregar o termo para assinatura.
Termo de uso de imagem: outro documento
Postar foto de paciente exige um consentimento próprio, separado do termo do tratamento. A Resolução CFO-196/2019 só permite divulgar selfie com paciente e imagens do diagnóstico e do resultado final com autorização prévia por TCLE. Mesmo com o termo, a resolução proíbe:
- imagens em que apareçam equipamentos, instrumentais, materiais ou tecidos biológicos (art. 1º, § 1º);
- vídeo ou imagem do procedimento sendo feito, fora de publicação científica (art. 3º);
- expressões de sensacionalismo, autopromoção ou promessa de resultado (art. 2º, § 1º);
- caso clínico de outro profissional; toda publicação leva o nome e o número de inscrição de quem fez (art. 4º).
Só pode postar o dentista que executou o procedimento (art. 2º). A divulgação fora dessas regras é infração ética de manifesta gravidade (art. 5º). Na clínica, o responsável técnico responde junto pela propaganda (Código de Ética, art. 45).
O Anexo 10 do manual traz o modelo dessa autorização, com versão para paciente menor. Ele exige escrever onde a imagem será usada e garante ao paciente o direito de revogar a autorização a qualquer momento. Revogada, a clínica para de usar e remove o que for possível.
Próximo passo: separe na pasta de cada paciente o termo do tratamento e o termo de imagem, e não poste nada de quem não tem o segundo assinado.
Como organizar o termo na clínica
A recepção pode entregar o papel, mas quem explica riscos e alternativas é o dentista que vai fazer o procedimento. O termo assinado sem conversa não demonstra esclarecimento.
Uma rotina simples funciona assim:
- O dentista apresenta as opções no plano de tratamento e registra a escolha.
- Preenche os 9 itens do termo para a opção escolhida, com linguagem que o paciente entenda.
- Lê com o paciente, responde dúvidas e colhe as assinaturas; uma via fica no prontuário.
- A cada etapa, registra na evolução que reforçou as orientações.
- Se houver interesse em postar o caso, apresenta o termo de imagem em separado.
O termo é só uma das peças que a fiscalização sanitária e o CRO podem pedir junto do prontuário. Se a clínica está crescendo e precisa de alguém na recepção ou na gestão para cuidar dessa papelada, descreva essas tarefas na vaga: no TalentOdonto, a clínica publica a vaga e recebe candidatos de recepção, ASB e gestão da odontologia.
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Perguntas sobre o tema
O termo de consentimento precisa ser registrado em cartório?
Não. O manual do CFO diz que nem o contrato de prestação de serviços precisa de firma reconhecida ou registro em cartório para valer. O mesmo vale para o termo.
Posso usar o termo de consentimento em PDF do CRO ou de outra clínica?
Pode usar como ponto de partida. O CFO autoriza copiar o próprio modelo, mas exige adaptação a cada situação. Um termo genérico, igual para todo procedimento, protege pouco, porque não mostra que os riscos daquele caso foram explicados.
Termo de consentimento para cirurgia odontológica é diferente?
Usa a mesma estrutura de 9 itens. Muda o conteúdo dos itens 4 a 8, que precisam dos riscos e condutas próprios da cirurgia. Em cirurgia de maior complexidade, o manual recomenda gravar a consulta de esclarecimento.
O termo digital, assinado no tablet, vale?
O manual do CFO aceita o consentimento escrito, impresso ou gravado, e admite documentos odontológicos assinados digitalmente. O cuidado é guardar o arquivo no prontuário, com data, e conseguir mostrar quem assinou.
O paciente pode desistir depois de assinar?
Pode. O consentimento é livre e o contrato do modelo do CFO prevê rescisão a qualquer tempo, com cobrança só das etapas feitas. A autorização de uso de imagem também pode ser revogada a qualquer momento. ---
Fontes consultadas
- CFO — Manual do Prontuário do Paciente em Odontologia, 1ª ed., 2026
- CFO — FAQ do Manual do Prontuário (2026)
- CFO — Código de Ética Odontológica, Resolução CFO-118/2012
- CFO — Resolução CFO-196/2019
Conteúdo informativo. A forma de contratação deve ser definida conforme a realidade da clínica, com orientação profissional quando necessário.

TalentOdonto
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