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Teste biológico da autoclave: quando fazer, como fazer e o que registrar

Redação TalentOdontoPublicado em 22 out 20268 min de leitura
Blog e conteúdos›Teste biológico da autoclave: quando fazer, como fazer e o que registrar
Auxiliar de saúde bucal de luvas prepara um pacote de papel grau cirúrgico ao lado de uma autoclave de mesa na sala de esterilização.

O teste biológico da autoclave do consultório é semanal, feito no primeiro ciclo do dia com um pacote teste que leva um indicador biológico e um integrador químico tipo 5 ou 6. Nos demais ciclos, o monitoramento é com o integrador químico. Cada carga precisa de registro, guardado por 5 anos.

Quando cada tipo de monitoramento vale

O teste biológico da autoclave é feito uma vez por semana, no primeiro ciclo do dia. Essa regra está na Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Anvisa nº 1.002/2025, art. 89, e o registro de cada carga fica guardado por 5 anos (art. 92).

Para fazer o teste, a clínica monta um pacote teste: um pacote preparado só para o teste. Dentro dele vão dois itens. O indicador biológico é um frasco ou tira com microrganismos resistentes, que só morrem se o ciclo esterilizou de verdade. O integrador químico tipo 5 ou 6 é uma tira que muda de cor quando tempo, temperatura e vapor chegam aos valores certos. Na clínica odontológica, a autoclave é conferida de quatro maneiras diferentes, e o teste biológico é só uma delas:

Quando cada tipo de monitoramento vale
MonitoramentoQuando fazerO que usar
Indicador tipo 1Em todo pacote, em todo cicloFita ou faixa de indicador de exposição no pacote (art. 78)
Pacote teste com integradorNos demais ciclosIntegrador químico tipo 5 ou 6 em pacote teste (art. 90)
Pacote teste com indicador biológicoToda semana, no primeiro ciclo do diaIndicador biológico mais integrador tipo 5 ou 6, em dupla embalagem (art. 89)
Teste Bowie & DickNo primeiro ciclo do dia, só na autoclave com bomba de vácuoTeste de Bowie & Dick (art. 88)

A tabela mostra que o teste biológico é o mais raro e o mais completo: os outros dão resposta na hora, e o biológico confirma que os microrganismos morreram. O teste de Bowie & Dick mostra se a máquina tira bem o ar da câmara. Segundo o resumo da norma publicado pela APCD, o monitoramento vale independentemente do tamanho do serviço ou do número de ciclos. Autoclaves com câmara maior que 60 litros seguem a RDC nº 15/2012, como diz o art. 93 da nova resolução; confira com o fabricante a capacidade da câmara da sua autoclave.

Passo a passo do teste semanal

Com o dia da semana definido, o teste é feito sempre no primeiro ciclo do dia, antes de esterilizar o material dos pacientes. O passo a passo é este:

  1. Monte o pacote teste com dupla embalagem de papel grau cirúrgico, com o indicador biológico e o integrador químico dentro (art. 89, § 1º).
  2. Coloque o pacote na câmara no ponto de menor circulação de calor, ou seja, onde o vapor chega por último. O ponto exato é indicado pelo fabricante da autoclave (art. 89, § 2º).
  3. Rode o ciclo normal com os instrumentais da carga.
  4. Ao terminar, retire o pacote conforme o manual da autoclave e confira o integrador químico: se não mudou de cor como o fabricante indica, o ciclo já falhou.
  5. Leve o indicador biológico para a incubadora, o equipamento que mantém a temperatura certa para os microrganismos crescerem, seguindo a instrução do fabricante do indicador. O tempo de leitura varia por modelo. Se o fabricante pedir um indicador de controle, que não passa pela autoclave, incube os dois juntos: o controle precisa dar positivo, porque isso mostra que o indicador e a incubadora funcionam.
  6. Registre o resultado na ficha da carga. Como o resultado demora, o responsável técnico (RT) define no POP se a carga fica retida até o resultado sair ou se é liberada e recolhida em caso de positivo; essa é uma decisão dele, não uma regra da norma.

A incubadora também tem regra: o art. 136 manda fazer manutenção preventiva nela pelo menos uma vez por ano.

Como ler o resultado e o que fazer se der positivo

O indicador biológico negativo, isto é, sem crescimento de microrganismos, indica que o ciclo esterilizou. Positivo, com crescimento, indica que o ciclo não esterilizou, desde que o controle tenha dado positivo; se o controle não crescer, o teste não vale e deve ser repetido. A RDC nº 1.002/2025 não detalha o que fazer num resultado positivo; por isso, o procedimento deve estar escrito no procedimento operacional padrão (POP) da clínica, definido com o RT. Uma conduta de precaução usada em muitos serviços, que é sugestão desta redação e não texto da norma, é:

  • Não usar o material da carga testada e das cargas feitas depois do último teste negativo até a causa ser esclarecida.
  • Conferir se o erro foi do teste (indicador vencido, incubadora fora da temperatura) ou do ciclo (pacote muito cheio, água, resistência).
  • Chamar a assistência técnica da autoclave e repetir o teste.
  • Reprocessar o material e registrar o episódio e o que foi feito.

Quem define a conduta oficial da sua clínica é o RT, de acordo com a instrução do fabricante e a orientação da vigilância sanitária do município.

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O que registrar e por quanto tempo guardar

Depois do teste, falta o registro, que é o que a vigilância sanitária pede para ver. O art. 91 exige o registro de cada carga, com no mínimo: a data, o lote (o número que a própria clínica dá a cada carga), a identificação da autoclave quando há mais de uma, o resultado e a interpretação do pacote teste, a relação dos pacotes processados, o nome de quem operou e os parâmetros do ciclo, como tempo, temperatura e pressão. Esses registros devem ser guardados por no mínimo 5 anos (art. 92).

Como o registro vai ser feito todo dia e o teste biológico só toda semana, vale uma ficha única de carga com um campo para o teste da semana. Em papel ou em planilha, ela precisa de alguém responsável por preencher e conferir no fim do dia.

Quem faz o teste na equipe

O teste biológico costuma ser feito pela auxiliar em saúde bucal (ASB) ou pela técnica em saúde bucal (TSB) que cuida da esterilização, com o RT conferindo o registro. Quem pode lavar e esterilizar material depende da função, e o assunto está no texto sobre se a recepcionista pode esterilizar material odontológico. O que o RT precisa garantir está no guia do responsável técnico da clínica.

Se na sua clínica ninguém tem tempo para essa rotina, o próximo passo é a vaga. Na TalentOdonto, a clínica anuncia a vaga de graça e recebe candidaturas de profissionais com o CRO conferido, que você compara e chama para conversar pelo próprio site. Antes de anunciar, deixe escrito no POP o que a pessoa vai fazer na esterilização, para a vaga já dizer isso.

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Prazo para se adequar e o que acontece se não cumprir

A RDC nº 1.002/2025 entrou em vigor na publicação, em 16 de dezembro de 2025, e dá 360 dias para os serviços já existentes se adequarem, o que leva o prazo a 11 de dezembro de 2026 (art. 182, contagem corrida). Clínica nova ou que vai reabrir deve cumprir tudo desde o começo (art. 182, §§ 1º e 2º). Descumprir a norma é infração sanitária, nos termos da Lei nº 6.437/1977 (art. 185 da RDC). O monitoramento da esterilização é um ponto que a fiscalização pode conferir, junto com o restante do POP, como explica o guia sobre o POP de odontologia.

Antes de decidir: A periodicidade semanal e o desenho do pacote teste vêm da RDC nº 1.002/2025; confira com o responsável técnico se a sua autoclave se enquadra (câmara de até 60 litros) ou se segue a RDC nº 15/2012. O tempo de incubação, o indicador de controle e o ponto do pacote na câmara dependem do fabricante do indicador e da autoclave; siga o manual. A conduta num resultado positivo é decisão do RT e do POP da clínica; a lista deste texto é uma sugestão de precaução. A vigilância sanitária do município pode pedir orientações adicionais.

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Perguntas sobre o tema

De quanto em quanto tempo se faz o teste biológico da autoclave?

Uma vez por semana, no primeiro ciclo do dia, segundo o art. 89 da RDC nº 1.002/2025. Nos outros ciclos, o monitoramento é feito com o integrador químico tipo 5 ou 6.

O teste biológico é obrigatório em consultório pequeno?

É. Pelo resumo da norma publicado pela APCD, o monitoramento da esterilização vale independentemente do porte do serviço, da quantidade de ciclos ou do número de pacientes.

Posso usar estufa em vez de autoclave?

Não. O art. 88, § 1º, proíbe estufa para esterilizar dispositivos médicos odontológicos, e caixas de luz ultravioleta também não são permitidas.

Quanto tempo guardar o registro do teste?

No mínimo 5 anos, conforme o art. 92 da RDC nº 1.002/2025.

Quanto tempo leva para sair o resultado?

O tempo varia por modelo de indicador. Siga a instrução do fabricante do indicador que a clínica usa.

Fontes consultadas

  • RDC Anvisa nº 1.002/2025, texto integral no Datalegis (arts. 78, 88 a 93, 136, 182 e 185). Conferida em 22/10/2026.
  • APCD: RDC nº 1.002/2025, o que muda na prática para os serviços odontológicos: resumo do monitoramento em esterilizadores de até 60 litros. Conferida em 22/10/2026.
  • Lei nº 6.437/1977: infrações à legislação sanitária.

Conteúdo informativo. A forma de contratação deve ser definida conforme a realidade da clínica, com orientação profissional quando necessário.

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Equipe editorial

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